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Pandemia muda hábitos, afeta zona de conforto e amplia adesão à internet

6 de outubro de 2021 18:11

Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – A busca por serviços na internet aumentou durante o período crítico da pandemia de Covid-19. A migração do presencial para o on-line forçou mudanças de hábitos e profissionais tiveram que se adaptar. O sucesso das plataformas digitais incentivou empreendedores no Amazonas ouvidos pelo ATUAL a continuar na internet mesmo com o retorno do trabalho presencial.

Amanda Rozeno, de 24 anos, dá aulas particulares de inglês. Antes da pandemia de Covid-19, a professora atendia os alunos em uma sala física. Com o isolamento social causado pela pandemia, isso mudou.

“Foi muito desafiador para mim, inicialmente, porque eu não tinha materiais, nenhum tipo de habilidade para dar aulas através de um recurso totalmente digital. Então, eu tive que aprender, pesquisar e melhorar a minha forma de dar aula nessa modalidade”, conta.

Amanda Rozeno conseguiu ampliar o público que atende com aulas on-line (Foto: Divulgação)
Superado o obstáculo da familiaridade com a tecnologia, Amanda afirma que hoje vê no ensino on-line um meio de ampliar o número de alunos. “Ficou bem mais diversificado meu tipo de aula. Vamos dizer que a necessidade acabou fazendo com que eu saísse da minha zona de conforto e procurasse outras formas para eu me sustentar”, diz.

Essa necessidade de buscar aperfeiçoamento para entrar no mundo digital também é relatada por Michel Oliveira, de 35 anos. O personal trainer oferece treinamentos on-line desde 2017 e no isolamento social potencializou o serviço. “O que me fez aderir ao mundo on-line foi uma pergunta que eu me fiz olhando para os meus filhos: será que os meus filhos, lá na frente, junto com essa geração deles, vão sair da casa deles para treinar em algum lugar, num centro de treinamento, numa academia?”, diz.

Michel explica que o trabalho vai além de vender serviço na internet. “Você precisa estudar muito mais, estudar personas, estudar muito mais o seu grupo, a oferta, o público, a questão do ticket médio, qual valor você vai cobrar por esse produto”, cita.

Para Michel Oliveira, a liberdade é uma das maiores vantagens do serviço on-line (Foto: Divulgação)
O personal afirma que se as pessoas apenas olharem para o que é necessário fazer, não continuarão no serviço. Mas ressalta as vantagens de investir no formato. “O ponto principal do on-line é a liberdade que você pode adotar de trabalhar em qualquer lugar do mundo”.

Sem fronteiras
É a mesma vantagem citada pela consultora de imagem Ghiysa Benchimol, que começou a ofertar treinamentos na pandemia. Ghiysa afirma que o que a motivou a aderir ao mundo on-line foi não ter fronteiras para os atendimentos. “Você pode atender uma cliente de consultoria de imagem e estilo no Japão, na Suécia, em Manaus, no Rio de Janeiro, não tem limitação geográfica”, diz.

Ghiyza Benchimol afirma que o que a motivou a aderir ao mundo on-line foi não ter fronteiras para os atendimentos (Foto: Divulgação)
Ghiysa conta que além do desafio de aprender a manusear as novas plataformas, uma desvantagem foi ter que dividir o tempo e ambiente de casa com o trabalho. “Porque em casa você tem família, filho, cachorro, o seu cônjuge que às vezes não entende que você está ali no cantinho da sala estudando”, relata.

Já Fernanda Belo, 39 anos, gerente de duas lojas de franquia de sapatos e bolsas, afirma que o maior obstáculo foi manter a marca ativa e presente em um momento delicado.

“Como começamos a ficar mais ativos na venda on-line na pandemia. A maior dificuldade era comunicar e impactar as clientes de forma adequada sem que elas se sentissem incomodadas ou invadidas num momento tão delicado. Além disso, é necessário transmitir que todos os cuidados estavam e são tomados para garantir a segurança contra à Covid”, diz.

As lojas físicas já estão funcionando, mas Fernanda manterá o serviço on-line, que já era usado antes, mas com menos frequência. “Hoje a venda física, em nossa loja, é mais representativa em volume de vendas. Mas temos consciência que o cliente está no centro e devemos atendê-lo em todas as frentes. Seja no físico, seja no digital”, afirma.

Deborah Paixão, de 32 anos, tem como espaço de trabalho a residência dos clientes. A veterinária (CRMV-AM 0987) trabalha em domicílio há cinco anos. Embora seja um atendimento presencial, ela conta que na pandemia algumas pessoas que normalmente iam a consultórios veterinários optaram pelo atendimento em casa para evitar aglomerações.

A veterinária conta que a comodidade também foi um fator determinante para que os donos dos animais preferissem as consultas domésticas. Além disso, facilita para quem tem dificuldades em levar o animal ao consultório.

“Conhecemos a rotina do pet, o ambiente. Isso facilita muito o diagnóstico. O atendimento em domicílio minimiza o estresse, traumas. Tem pet que tem pavor de ir ao consultório”, explica. “Indo em domicílio diminui o risco de infecção cruzada entre animais saudáveis e doentes com doenças virais”, diz.

Deborah afirma que o atendimento em domicílio minimiza o estresse dos animais (Foto: Divulgação)
São de cinco a seis atendimentos diariamente. “Atendemos em todas as zonas e inclusive fora de Manaus. Já fomos para Iranduba (a 20 quilômetros de Manaus) e km 15 da BR-174”, conta.

Deborah afirma que os atendimentos mais complexos são encaminhados para a clínica 24 h mais próxima do cliente. “Nosso serviço é preventivo. Não fazemos internação e nem cirurgia. Não podemos fazer fluido em domicílio, como colocar o paciente no soro. Então trabalhamos mais com prevenção, consultas de rotina, coleta de material para laboratório, vacinação”, explica.

O atendimento à distância também foi bem recebido pelos clientes de Ghiyza. “Eu faço a minha consultoria e às vezes a pessoa não conseguiu chegar naquele momento. Ela chegou mais tarde, mas está gravado e ela pode reassistir num outro momento em que está mais tranquila. Depois entra para o grupo do WhatsApp, faz as perguntas”.

O mesmo ocorreu com alguns alunos de Amanda, que com a flexibilidade contrataram o serviço. “A gente sabe que principalmente os adultos que querem uma nova língua eles têm trabalho, família, uma série de outras atividades durante o dia. Então as aulas remotas vieram com mais força também nesse período pandêmico. Mas eu acredito que agora vai permanecer. Não vai existir somente como era antes, em sua maioria, as aulas presenciais”, afirma.

Foi o caso do jornalista Felipe Wanderley, 32 anos. Ele explica que já havia feito cursos à distância antes, mas a pandemia intensificou isso. “Eu fiz um curso de roteiro, um curso de criatividade eu achei muito legal. Talvez eu não tivesse feito se não tivesse parado e pensado. Tudo parou né? Então eu parei e pensei ‘E agora? O que é que eu faço?’”, relata.

Felipe considera que a liberdade de fazer o próprio horário pode ser bom e ruim ao mesmo tempo, dependendo se há ou não disciplina. Ele conta que no período em que esteve trabalhando em casa foi mais fácil conciliar trabalho e estudo. Mas reconhece que não é uma realidade geral.

“Foi mais fácil para mim. Porque tem gente que tem filho, que não consegue conciliar muito bem. A minha irmã trabalha em casa e não consegue trabalhar. Ela prefere ir para o escritório”, diz.

Mais atendimentos
Ghiysa Benchimol aumentou o número de pessoas que podem ser atendidas. “Numa consultoria de imagem e estilo, presencialmente eu poderia atender no máximo, em grupos, 20 pessoas. On-line eu tenho um número ilimitado. Lógico que eu limito porque quero dar atenção. Mas esse número pelo menos dobra”.

No isolamento, Michel Oliveira chegou a ter 307 alunos em um treino ao vivo (Foto: Divulgação)
No isolamento, o personal Michel teve alta procura pelos exercícios em casa. “Cheguei a 307 alunos numa recorrência. Hoje deu uma baixada porque as pessoas querem sair de casa. Hoje são mais ou menos 150 pessoas numa recorrência. Trabalho com aulas ao vivo de segunda à sexta”, conta.

Ele afirma que aqueles que mesmo os clientes que preferem o treino presencial, conseguiriam voltar ao formato on-line se houver necessidade.

“Não vai deixar de existir. Hoje, por exemplo, o centro de treinamento é um formato híbrido, presencial e on-line. Então é algo que eu vou levar para o resto da vida. Porque o meu maior objetivo é criar essa liberdade financeira dentro do on-line. Tenho condições de atender uma pessoa, 100 pessoas, 1 mil pessoas, 10 mil, 20 mil, 30 mil”, afirma.

Para a professora Amanda, continuar com aulas à distância é sinônimo de economia. “Eu economizo muito mais com custos, energia, transporte, logística, materiais, então assim, é uma forma vantajosa para os dias de hoje”, pontua.

A gerente Fernanda Belo entende que a venda on-line é uma realidade sem volta. “Venda online é uma realidade sem volta. Todo o varejo teve que crescer e ter disponível essa modalidade de venda em loja. Porém como toda forma de venda, há possibilidades de fraudes e temos que estar atentos aos possíveis golpes”, alerta.

Compras pela internet se tornaram hábito para alguns na pandemia (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
É o caso da enfermeira Leda Rodrigues, de 61 anos, que na pandemia começou a fazer mais compras pela internet. “Estou sempre de olho vivo para não cair em golpes. Sempre compro em lojas tradicionais, tais como Bemol, Queiroz, Amazon-one, Amazon, Magalu, etc. Sempre verifico se é site seguro. Prefiro o pagamento por boleto. Evito cartão de crédito”, afirma.

No isolamento, Leda Rodrigues se habituou com algumas facilidades da internet e pretende manter boa parte. “Comecei a perceber as vantagens de resolver muita coisa que era possível via internet – transações financeiras/bancárias, pagamentos diversos, compras de vários produtos – limpeza, cesta básica, comida pronta, etc., e, até consulta médica pela telemedicina”, afirma.

A enfermeira conta que ainda não frequenta o comércio 100%. “Estou ainda temerosa. Continuo usando máscara, já estou vacinada com as duas doses. Evito lugares com muitas pessoas”.

Fonte: https://amazonasatual.com.br/pandemia-muda-habitos-afeta-zona-de-conforto-e-amplia-adesao-a-internet/

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